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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Interessante esta crônica do Pinheiro Machado sobre a corrupção no Ministério do Esporte. Diga-se, mais uma. Ainda não consigo entender como que no Brasil os políticos se mantém no cargo mesmo após tantas denúncias, se em outro Países, por muito, mas muito menos, os políticos renunciam??


17 de outubro de 2011 | N° 16858

J. A. PINHEIRO MACHADO

Não digam a mamãe que

 eu sou jornalista






Corrupção é a palavra mais citada nos jornais. As denúncias se sucedem. Sobre a mais recente, do fim de semana, uma afirmação do ministro do Esporte: os acusadores têm que provar a veracidade das suspeitas. Há uma certa confusão aí. Se alguém acusa, por exemplo, o colunista interino de um jornal, ou o dono de um mercadinho, por certo tem que provar. No caso de uma autoridade pública, o ministro tem que provar diariamente não apenas que é inocente, mas que é eficiente e necessário. Se a acusação for falsa, a lei e a Justiça oferecem pesadas punições. Mais do que isso, o jornal ou revista que acusar indevidamente terá pela frente a pior das sentenças: o descrédito dos seus leitores. Esse é um tribunal implacável. A espada afiada da frágil confiança do público diariamente pende sobre a cabeça dos jornalistas. Nunca esqueço da advertência de um precioso livro de normas de redação do jornalista Carlos Maranhão: num texto de 200 linhas absolutamente corretas, basta um único erro, uma imprecisão na última linha, para que o leitor duvide da exatidão de tudo o que leu antes.

Joseph Pulitzer, o jornalista e empresário que, no início do século passado, fundou o moderno jornalismo nos Estados Unidos, enumerava a seus repórteres três exigências para a publicação de uma matéria: “precisão, precisão e precisão”. O seu jornal, The World, praticava um jornalismo rigoroso, denunciando e combatendo a corrupção política: orgulhava-se de ser “um defensor do lado das pessoas e um porta-voz da democracia”. Não hesitou em lutar ao lado dos operários por menos horas de trabalho e melhores condições de vida para os pobres, irritando as grandes companhias e monopólios laborais.]

Os príncipes se irritam com o conhecimento da verdade, quando ela se opõe aos seus fins ou impede seus propósitos, escreveu o jornalista espanhol Juan Luis Cebrián, autor de um livro sobre o jornalismo e as dificuldades para exercer com correção e eficiência essa profissão: O Pianista no Bordel. O título usa a ironia de um ditado espanhol: “Não digam a minha mãe que sou jornalista, prefiro que continue pensando que toco piano num bordel”. Cebrián é diretor-fundador do El País, que começou a circular em 1976, durante a transição da Espanha, da ditadura de Franco para a democracia, e um dos administradores do francês Le Monde. Os dois jornais, desde sempre, se tornaram referências na busca da isenção e na despreocupação em desagradar aos personagens de suas notícias e reportagens. Ninguém escapa, constata o autor com certa amargura: “Literatos, intelectuais e também muitos renomados jornalistas, depois de exaltar as sublimes funções dos jornais, acabaram por abominá-los”. O exemplo do grande Balzac é sugestivo: quando era elogiado, adorava os jornais; mas, quando recebeu críticas, mudou de lado e escreveu: “Se a imprensa não existisse, seria preciso não inventá-la”.

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