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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

PAIS OMISSOS, FILHOS TRANSGRESSORES - Opinião, por Ronie de Oliveira Coimbra




A notícia de que uma menina de três anos de idade morreu ao ser colhida por um “jet ski”, na praia de Guaratuba, em Bertioga, litoral de São Paulo, consternou todo o Brasil. A vida não tem valoração, pois a sua perda faz com que tudo se perca, mas uma vida abreviada em tão tenra idade, e da forma que ocorreu, sempre causa muita indignação, e, busca-se, em uma só voz, que a justiça seja feita, os responsáveis sejam punidos, e a morte da menina não seja mais uma escrita no livro da impunidade. 

Mas uma análise, embora superficial dos fatos, permite, claro, precariamente, tirarmos algumas lições e conclusões. A primeira lição é que o permissivismo de pais, para com seus filhos adolescentes, pode ser fatal, tanto para o adolescente que goza da inexistência de limites, como para outros, cujo exemplo cabal é o da menina que restou morta. Permitir que um garoto de catorze anos se aproprie de um Jet ski e o leve para uma praia apinhada de pessoas, dentre elas crianças, é de uma irresponsabilidade injustificável. 

Pondero que os pais não conseguiram dizer não ao seu filho adolescente, que concluiu facilmente que como a família não lhe impunha limites, porque a sociedade teria o direito de lhe impor, lhe negando a oportunidade de pilotar o jet ski, mesmo sabendo que precisava ter no mínimo dezoito anos e portar uma autorização? Imaginemos este adolescente, acostumado a não ter limites, encontrando pela frente uma pessoa ou autoridade que lhe balizasse uma conduta e lhe negasse algo que pela lei ou moral fosse proibida. Qual seria a reação perante a frustração? 

Ocorrida à tragédia o adolescente e familiares se debulham em explicações, a exemplo de que o jet ski imprimiu seu curso sozinho, após o adolescente ligar a ignição. Ora, sejam estas explicações criveis ou não, os peritos e técnicos irão chancelá-las ou negá-las, mas o que não tem explicação é um adolescente de catorze anos pilotando um jet ski, muito certamente, com conhecimento dos pais. 

Porém, existe outra lição a ser vista. O adolescente, tão logo viu a bobagem que fez e a grave conseqüência dela, correu para casa, para o seio de sua família, que lá lhe mostrou outra faceta da vida, que ele, com certeza, levará para o resto de sua existência: A que ele pode fazer qualquer “bobagem” e fugir da responsabilidade, pois sua família lhe ajudará, inclusive fugindo junto, mesmo que deixe para trás uma agonizante menininha de três anos de idade. Caso tudo de certo e as lições de permissividade e irresponsabilidade sejam aprendidas, aguardemos os feitos, do hoje adolescente, quando for adulto. 



Ronie de Oliveira Coimbra
Major – Cmt do 33º BPM de Sapucaia do Sul
www.roniecoimbra.blogspot.com

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