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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A CULPA SEMPRE É DO OUTRO, por Major Ronie Coimbra




Concluo, pelo que vejo, leio e escuto, que grassa na cultura brasileira a prática de culpar sempre o outro pelos acontecimentos, enquanto “eu” me eximo de quaisquer responsabilidades, tanto por ação ou omissão.
Lembro-me de um episódio, ocorrido há algum tempo, em que o condutor de um veículo acidentou-se na Avenida dos Estados, na entrada de Porto Alegre, ao lado da Estátua do Laçador, morrendo logo em seguida por causa do forte impacto. Apurou-se que o condutor trafegava em altíssima velocidade. Parente deste condutor, em depoimento a um jornal, falou que a culpa pelo acidente fora do automóvel, pois este era muito potente, e disse mais: que faltou fiscalização da polícia e das autoridades de trânsito. Em nenhum momento falou que dirigir em altíssima velocidade, incompatível com a via, poderia ter causado o acidente.
Recentemente li postagem no facebook que noticiava que um assaltante foi morto quando tentou assaltar, a mão-armada, um policial. O pai do assaltante se manifestou em um jornal, e claro que a dor da perda de um filho não tem descrição, mas dizer que a culpa da morte do filho foi do policial está fora do razoável. Não existe culpa do assaltante, que desta feita não encontrou uma vítima indefesa e desarmada? Escolher o caminho do crime tem consequências que são da alçada exclusiva da pessoa que o escolhe, entretanto, não poucas vezes, muitos eruditos e autoridades dizem que a culpa é de todo mundo, menos do bandido.
Duas semanas atrás desabaram três prédios no Rio de Janeiro. Busca-se um culpado. Este pode até ser o empresário que realizou obras no maior dos prédios, cuja queda arrastou consigo outros dois prédios menores. Mas e as pessoas que viram as obras acontecerem, já de longa data, não são responsáveis por omissão, pois ao enxergarem a irregularidade nada fizeram? Bem, penso que o problema não era delas.
Essa é a questão que entendo central: “O problema não é meu”. Arranjamos desculpas e desculpas para não assumirmos responsabilidades e quando acontece o desastre, o acidente, o sinistro, nos enveredamos pela busca de um culpado que, claro, sempre será o outro.
Assim é em segurança pública. O problema é das polícias civil e militar, mesmo que eu compre peças de automóveis de origem duvidosa em desmanches; ou que eu compre produtos piratas, cujo dinheiro vai financiar o crime organizado; ou que eu faça a “fézinha” no jogo do “bixo”, jogue nos caça-níqueis ou nos bingos ilegais, cujos ganhos vão azeitar as engrenagens da máquina do crime, como compra de armas e drogas; ou que eu acione os serviços da polícia para coisas que não são de polícia, ou então que eu passe trotes, práticas que retiram o policiamento preventivo de locais que necessitam da presença ostensiva da polícia.
Mas porque eu teria que me preocupar com tudo isto? O problema de segurança pública não é minha responsabilidade, é da polícia.


Ronie de Oliveira Coimbra
Major – Cmt do 33º BPM de Sapucaia do Sul

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