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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

MAIS UM EX-MINISTRO (REFORMA MINISTERIAL NATURAL)

Zero Hora - 03 de fevereiro de 2012
EDITORIAIS
MAIS UM EX-MINISTRO



O ministro das Cidades, Mário Negromonte, que há uma semana se considerava “mais firme do que as pirâmides do Egito”, encaminhou ontem sua carta de demissão à presidente Dilma Rousseff. Acusado de acumular cargos remunerados em confronto com a lei e de fraudar contrato para obras da Copa em Cuiabá, além de outras irregularidades, o ministro – a exemplo de seus colegas destituídos no ano passado – sai acusando a imprensa e dizendo que não tem mais condições políticas para continuar no governo. Dos oito ministros afastados do governo Dilma, sete seguiram roteiro semelhante: primeiro foram flagrados em irregularidades pela imprensa para que, só depois de muito desgaste, o governo concluísse que deveriam ser substituídos.

Outros, também apontados por envolvimento em indícios de irregularidades, conseguiram sobreviver. Mas a regra, diante da divulgação de denúncias, tem sido a de que o suspeito resiste por um bom tempo, apresenta argumentos, convoca aliados e até faz chantagens, para afinal ser exonerado. Foi o que aconteceu com o senhor Negromonte. A companheiros do PP, o ex-ministro confessou estar cansado com o que classificou de “tiroteio” e “batalha da mídia” para derrubá-lo. Imagine-se o cansaço a que ele se submeteu.

Desde janeiro, Negromonte vinha sendo confrontado com informações de que o Ministério das Cidades atendia com preferência, para liberação de recursos, emendas de parlamentares da Bahia, Estado do ex-ministro. Depois, deve ter ficado exausto dando explicações para a denúncia de que o ministério forjara um documento para alterar um projeto de transporte para a Copa em Cuiabá. O papel teria sido adulterado com o conhecimento do então ministro. Diante de tantas demandas para que explicasse seus atos, é natural que Negromonte se sentisse cansado e abatido, além de abandonado pelos correligionários.

A sétima queda de um ministro, em pouco mais de um ano de governo, seria um fato inverossímil em qualquer roteiro de ficção. Infelizmente, é a realidade brasileira e tem, pelo inusitado, suas virtudes. Com o recorde de exonerações em tão pouco tempo, a presidente Dilma Rousseff consegue se desfazer de aliados que atrapalhavam muito e contribuíam pouco ou quase nada para a eficiência do governo. O balanço geral demonstra que a presidente se livrou de assessores dos quais não sentirá a menor falta. A maioria desembarcou na sua gestão como espólio do acervo político de seu antecessor. Se não fossem denunciados, estariam todos na Esplanada dos Ministérios, liberando verbas para currais, firmando contratos suspeitos, empregando amigos e constrangendo a presidente da República.

A esperada reforma política pode tirar proveito das exonerações como lição para escolha dos novos ministros. A presidente terá de exigir dos partidos uma seleção mais rigorosa dos indicados, não só em nome da preservação das alianças que sustentam o governo, mas de uma governabilidade com moralidade. No primeiro ano, a presidente foi refém do vale-tudo das coligações partidárias. Na mudança ministerial, terá a grande chance de montar um governo com as suas feições e sem assessores diretos que possam se cansar com a vigilância da imprensa.

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