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domingo, 15 de janeiro de 2012

O Cesto e as Maças

      O Ilustríssimo Senhor Marcos Rolim, jornalista,  teve publicado um artigo, intitulado "As maças e o cesto", na Zero Hora dominical , de 15 de janeiro de 2012. Contou sobre abusos cometidos pelos militares americanos e a impunidades dos seus atos desumanos e atrozes. Mas, em linhas gerais, aproveitou para alfinetar as polícias no Brasil, deixando nas entrelinhas que atos de violência e de desrespeito aos direitos humanos não são exceção,  e sim a regra, fazendo alusão ao adágio popular das maças podres, dizendo que, no caso das polícias, a analogia do adágio não cabe, pois muitas maças, no cesto da segurança pública, mormente as polícias estaduais, estão podres, ou então, o cesto estaria estragado.
       Desculpem-me a franqueza, pois reconheço a indubitável capacidade erudita e de expressão do colunista Marcos Rolim. Palavras rebuscadas que transcendem seu próprio significado, aliadas a exemplos retirados de todas as regiões do mundo, claro, todos negativos, mostrando uma verdade míope, eis que parcial,  que convencem até os mais incrédulos de que a realidade é esta mesma, e que, na verdade, todo o policial, seja civil ou militar, é um despreparado, desrespeitador de direitos, principalmente os humanos.
        Acompanho a trajetória política do insigne Marcos Rolim, cuja marca maior, que me recordo, foi a gênese do Relatório Azul, quando, na condição de Deputado Estadual, ele presidia a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Por gentileza, refresquem minha memória e me digam  qual a contribuição que ele deu a segurança pública no Brasil? Afora defender bandidos e delinquentes, muito mais atrozes e perversos que os soldados americanos. Isto mesmo, pois com a pinta de bom moço, e com a falácia de que Direitos Humanos não defendem bandidos, fazia exatamente a defesa de homicidas, latrocidas e assaltantes, pois, para os direitos humanos não se pode fazer distinção do bandido ladrão de galinha daquele que mata para roubar, muitas vezes com crueldade e maldade. Bem, parece-me que os presídios não tem maças podres, sequer o cesto estaria estragado. Todos os presos são pessoas bem-intencionadas. Não posso me furtar do conhecimento popular, usado por Rolim, e cito o que diz "que o inferno está cheio de boas intenções".
          Marcos Rolim já foi político, tanto na esfera estadual, no RS, quanto na esfera federal, e  minha humilde inteligência me permite concluir que é um dos motivos pelos quais ele não alfineta o cesto dos políticos (Congresso e Senado), que pelo que se vê, todos os dias, precisaria que se tirassem as maças boas do cesto, pois daria muito trabalho tiras as maças podres.
          É muito mais fácil criticar profissionais que labutam diariamente, faça sol ou faça chuva, faça frio ou faça calor, seja de dia ou de noite; que trabalham enquanto as pessoas estão com seus amigos e familiares, se divertindo, alguns poucos com o dinheiro que sangraram dos cofres públicos (nem tão poucos pelo que vemos atualmente); que lidam com todas as chagas sociais, que são mal-remunerados e pouco reconhecidos; que quando fazem seu trabalho com eficiência, mesmo arriscando a vida, se diz que não fizeram mais que a sua obrigação.
         Quem sabe, Marcos Rolim, a polícia civil e militar parem de trabalhar e você reviveria a volta ao caos e a barbárie, a quebra do contrato social de que tanto gosta de falar. E todos os bandidos bem-intencionados mostrariam a sua cara, e os soldados americanos, aqueles que urinaram nos afegãos, pareceriam anjinhos.

          Como é meu hábito, abaixo o artigo de Marcos Rolim, pois submeto, tranquilamente a crítica, pois a boa luta se faz no campo das idéias:



As maçãs e o cesto, por Marcos Rolim *

Haditha é um desses lugares dos quais nunca ouvimos falar. Em 19 de novembro de 2005, 24 moradores dessa cidade iraquiana – adultos, crianças e adolescentes – foram assassinados por soldados americanos em represália a um ataque à bomba contra um comboio de marines, com uma vítima fatal. O comunicado oficial à época afirmou que 15 civis haviam morrido por conta do atentado e que os marines tinham matado oito insurgentes nos combates que se seguiram. Evidências colhidas pelos jornalistas, entretanto, mostraram que a versão oficial se destinava a proteger os autores do massacre. Em dezembro de 2006, oito fuzileiros americanos foram acusados formalmente pelos crimes, mas já dois anos depois o processo havia se transformado em “pizza”. Um resultado que se tornou ainda mais vergonhoso em dezembro do ano passado, quando o New York Times revelou transcrições comprometedoras de entrevistas de militares americanos sobre o massacre de Haditha.

Abu Ghraib é outro desses lugares remotos. O nome da cidade iraquiana tornou-se conhecido depois que fotos tiradas dentro do presídio de mesmo nome, e que revelavam a tortura de presos por militares americanos, foram parar na internet. Quem viu as fotos deve lembrar que, em algumas delas, os militares estão sorrindo ao lado de suas vítimas destroçadas. Neste caso, a repercussão foi muito maior do que o massacre de Haditha e vários dos envolvidos foram condenados à prisão e expulsos do exército.

Agora, uma câmera flagrou quatro soldados americanos urinando sobre corpos de afegãos. Pela Convenção de Genebra, a cena revela crime de guerra (profanação de cadáveres). As autoridades americanas prontamente manifestaram seu desconforto e Leon Panetta, secretário de Defesa, classificou o episódio como “deplorável”. Certamente, os envolvidos responderão a processos e, talvez, sejam condenados para que “os valores centrais dos fuzileiros americanos sejam preservados”. Será isto mesmo?

Talvez o problema seja um tanto mais complicado. Sempre que um militar ou qualquer outro funcionário público encarregado de fazer cumprir a lei é flagrado em atos de abuso de autoridade, tortura, homicídio, ou outros crimes, vemos as autoridades – nos EUA e também em outros países, como no Brasil – repetir uma espécie de “mantra”: “Trata-se de um caso isolado”, dizem. É como se, a cada maldade praticada por aqueles que possuem o monopólio do uso da força, fosse preciso renovar a tese das “maçãs podres”. O cesto é bom, afirmam. O problema, quando existe, será sempre o de algumas maçãs que precisam ser removidas.

E se as maçãs não forem o problema, mas o cesto? E se as cenas reveladas por câmeras inconvenientes não forem excepcionais, mas a regra? Aliás, alguém já se perguntou sobre o que se passa longe das câmeras? A propósito, há escândalo quando soldados urinam sobre cadáveres, mas não há sequer uma dúvida a respeito das razões e da forma como aqueles afegãos foram mortos. É como dizer: “Garotos, vocês não se comportaram bem. Matem estes caras todos, mas nunca mais urinem sobre seus corpos”.

marcos@rolim.com.br

*JORNALISTA

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