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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Origem em Casa: Pesquisa liga bullying à relação com os pais

Zero Hora - 14 de dezembro de 2011
ORIGEM EM CASA
Pesquisa liga bullying à relação com os pais
Estudo da Unisinos mostra que conduta no ambiente escolar está vinculado ao tratamento no lar


Ao investigar o bullying na pré-adolescência, pesquisadoras da Unisinos descobriram uma relação entre a violência no ambiente escolar e o comportamento dos pais. O estudo apontou que há mais chances de uma criança ou adolescente ser vítima ou agressora quando seus pais são autoritários, punitivos ou distantes dos filhos.

A pesquisa foi feita com 221 crianças e adolescentes entre nove e 14 anos, estudantes de duas escolas da rede municipal de ensino de Novo Hamburgo, ao longo deste ano. Conforme a doutora em Psicologia Carolina Lisboa, orientadora do estudo apresentado na dissertação de mestrado da psicóloga Bruna Land, a investigação acadêmica revelou que a forma com que os pais educam seus filhos em casa tem relação com o envolvimento das crianças em casos de bullying.

– Adaptamos dois tipos de questionários que nos permitiram avaliar como os alunos viam seus colegas, pois o autorretrato é sempre mais difícil. Depois, qual era a percepção dessas crianças em relação aos seus pais – explica Carolina, à frente de um grupo de pesquisa sobre o tema, na Unisinos.

Defendida no dia 25 outubro, a dissertação aponta que crianças que percebem seus pais como pessoas não autoritárias, que negociam e têm bom diálogo com filhos, mostraram-se mais sociáveis do que as crianças que percebem seus pais com estilo negativo. E mais: crianças cujos pais não são autoritários tampouco permissivos são aquelas que têm menos chances de serem vítimas de bullying.

Pesquisa revelou meninas mais agressivas

A pesquisadora alerta poder se tratar de uma via dupla de causa e consequência. Ou seja, por não terem problemas com bullying, as crianças trazem menos problemas para casa. O que as leva a ter um mais comportamento tranquilo em relação à autoridade dos pais.

– A partir dessa pesquisa, pode-se promover ações contra o bullying que levem em consideração esses aspectos familiares – pontua a pesquisadora da Unisinos.

Para Carolina, a pesquisa ainda traz um dado surpreendente: médias mais altas de agressividade nas meninas do que nos meninos.

Conforme a pesquisadora, no entanto, não foi possível aferir se as meninas estão mais agressivas (em relação ao diagnóstico feito em outros estudos) ou se as técnicas usadas na pesquisa foram mais sensíveis às formas sutis de violência (indiretas) que são, em geral, atribuídas a meninas, como fofocas e intrigas.

– Os estudos nacionais e internacionais sempre evidenciavam os meninos como mais agressivos – comenta ela.

A pesquisa ainda revela que as meninas entrevistadas apresentaram uma tendência maior de se isolar do que os meninos. Segundo Carolina, não há teorias ou outros estudos que sinalizem os motivos. As meninas podem ser mais tímidas ou mais excluídas dos grupos.

– Pode-se pensar que por questões culturais, as meninas possam se sentir com menos liberdade de expressão. Ou então este dado pode ser explicado pela fase da vida (pré-adolescência) na qual é natural certo retraimento, por vezes até saudável – avalia ela.


Conclusões do estudo

O agressor
Percebem seus pais como pessoas autoritárias, que não dão atenção ou carinho e que as punem fisicamente. O fato da criança ser agressora também pode influenciar no comportamento dos pais que, sentindo-se impotentes, afastam-se. Outra conclusão é que crianças agressivas têm maior chance de se tornar vítimas de bullying em outra oportunidade.

A vítima
Negligência dos pais é a percepção mais forte das crianças vítimas de bullying, mas também há vítimas que percebem os pais como agressores. As demais conclusões são semelhantes às obtidas sobre crianças agressoras: ao perceberem o filho como vítima, os pais podem se afastar. A vítima de hoje também pode se tornar a agressora de amanhã.

O sociável
Um relacionamento saudável com os pais se reflete no ambiente escolar. Crianças que percebem seus pais como pessoas não autoritárias mostraram-se mais sociáveis com os colegas.
As crianças que não veem os pais como muito autoritários nem muito permissivos são aquelas que têm menos chances de serem vitimizadas.

Menina x Meninos
As meninas mostraram médias mais altas de agressividade do que os meninos. Frente ao bullying, as meninas apresentaram maior tendência a um comportamento de isolamento do que os meninos.



FRANCISCO AMORIM

O estudo
Veja como funcionou a pesquisa da Unisinos:
- A pesquisa, realizada em duas escolas de Novo Hamburgo, fez parte da dissertação de mestrado da psicóloga Bruna Land.
- As 221 crianças e adolescentes entre nove e 14 anos foram entrevistadas sobre os seus colegas. Quem eles consideravam agressores ou vítimas de bullying, e também quem se relacionava bem com a turma.
- A partir dos tipos identificados, essas crianças responderam a um questionário sobre o comportamento dos seus pais.
- O cruzamento destas informações mostrou que há relação entre o ambiente familiar e o escolar. As pesquisadores ressaltam, no entanto, que o segundo também pode influenciar o primeiro, no sentido de que as crianças levam seus problemas para casa.

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