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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Como identificar vítimas de violência intrafamiliar ou de bullyng.

Zero Hora - 28 de maio de 2012
VIOLÊNCIA DENTRO DE CASA

Sombra na autoestima
Crianças vítimas de violência intrafamiliar sofrem com maus tratos físicos e psicológicos causados por quem deveria ser aliado: pais ou irmãos

As duras palavras da própria mãe, ditas ainda na infância, ficaram marcadas na memória de Érica*:

– Cabelo ruim.

Aos 51 anos, Érica mal sabe qual é a forma original de seus fios. Tinham raiz lisa e ondas que não chegavam a formar cachos na ponta. E passaram por vários processos de alisamento: touca, chapinha, escova e progressiva. Mas a dor não se limitou à cabeça. Feriu a autoestima.

Se a fala pejorativa tivesse sido dita em ambiente escolar e preferencialmente entre um grande grupo, já teria sido carimbada: bullying. Mas por ter sido falada entre familiares, as denominações mudam, como explica a pesquisadora de bullying e autora de vários livros sobre o assunto Cleo Fante:

– O termo bullying não se aplica às relações familiares. Mesmo sendo apelidos repetidos ou qualquer outra agressão, o termo utilizado é violência intrafamiliar.

Se o nome não é o mesmo, o efeito é semelhante. Ou até pior.

– Um comportamento autodepreciativo de um colega tem um peso diferente se vem de um irmão, se vem da mãe ou do pai, porque essa pessoa tem uma importância diferente na vida de quem está sendo vítima – argumenta a psicóloga Luiza Maria Silveira.

Ela também reforça que esse tipo de atitude pode vir a causar não só baixa autoestima na criança, mas também problemas mais graves ligados à distorção da realidade e doenças mentais. Alguém que, na infância, foi constantemente violentado – por palavras ou palmadas – tende a repetir o padrão de comportamento nas relações futuras.

– A criança aprende a tratar os outros da forma como ela é tratada. Se ela tiver esse ambiente de violência em casa, em que ela apanha, que assim as coisas são resolvidas, é assim que ela também vai resolver os problemas fora de casa – afirma a doutora em educação Márcia Rosa da Costa.

Conforme Márcia, se a violência intrafamiliar já está estabelecida em casa, especialistas apontam que o melhor caminho é buscar o diálogo. Caso a família não se dê conta sozinha disso, é a vez da escola interferir. Os professores geralmente notam que os alunos estão em uma situação de violência pelo comportamento em sala de aula. Dessa forma, os educadores podem chamar os pais para conversar. Supondo que ainda assim não haja mudanças, a escola poderia até recorrer ao Conselho Tutelar.

*Nome fictício.

JÚLIA OTERO

Entenda o problema
Bullying é o ato de violência – física ou psicológica – contra um indivíduo. Rosana Rego Cairuga, pedagoga especialista em educação infantil, define:
- É uma relação de força desigual, geralmente feito na escola entre os colegas.

Como identificar uma vítima
- Costuma apresentar com frequência dores de cabeça e de estômago, diarreia, vômitos, suor excessivo, ansiedade e tremor no momento de ir à escola.
- Pode se mostrar insatisfeita, triste ou com medo de ir à escola. Pede constantemente para faltar às aulas ou mudar de turma ou de escola ou o trajeto escolar.
- Tem queda acentuada no rendimento escolar ou desinteresse pelos estudos. Tem dificuldade de inclusão, de ser aceita em grupos de estudos ou equipes esportivas.
- Muda de humor e se esquiva ou evita assuntos escolares.

De vítima para agressor
Se a criança reproduz o que vê em família, é provável que aquele aluno que agride os colegas na escola seja vítima dentro de casa. Observe as características do autor de bullying na sala de aula:
- Apresenta comportamentos agressivos, manipuladores ou intimidadores contra familiares, principalmente, os irmãos mais novos ou amigos.
- É constantemente advertido pela escola por causa de comportamentos negativos, e está sempre envolvido em confusões e desentendimentos.
- Resolve seus problemas valendo-se da sua força física ou da intimidação. Costuma resolver seus conflitos por meio de ameaças e violência, e apresenta distanciamento e falta de adaptação aos objetivos e regras escolares.
- Busca popularidade, aceitação e status no grupo e demonstra intolerância aos diferentes aspectos das pessoas.
- Porta objetos ou dinheiro sem justificar sua origem.

Como identificar a violência intrafamiliar
Pergunte para si mesmo:
- Qual é a qualidade do momento que passo com meus filhos? Mais importante que quantidade é a qualidade do tempo de convivência com o filho. Não adianta nada, por exemplo, passar o dia todo só assistindo TV ao lado da criança. É preciso haver diálogo.
- Você tem momentos de diálogo com seu filho? A criança deve saber que pode se abrir com a família, trazer problemas, conversar.
- Que tipo de reação tenho quando estou irritado? O menor se espelha nas atitudes dos pais. Então, tome cuidado em todos momentos.

Fonte: *Fontes: Cleo Fante, pesquisadora de bullying, e Márcia Rosa da Costa, doutora em educação.

Assista o Vídeo Institucional da Brigada Militar

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