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sábado, 14 de abril de 2012

PRENDE E SOLTA: Ladrões de carro voltam às ruas - Flexibilidade da legislação associada a divergência de interpretação jurídica, além da burocracia, geram situações que mantêm criminosos fora das prisões.

Zero Hora - 15 de abril de 2012 
PRENDE E SOLTA 
Ladrões de carro voltam às ruas
Flexibilidade da legislação associada a divergência de interpretação jurídica, além da burocracia, geram situações que mantêm criminosos fora das prisões.

           A captura de um homem com um carro roubado usado em assalto, e solto horas depois, na semana passada em Caxias do Sul, provocou controvérsia na Serra. O episódio, contudo, está longe de ser um caso isolado. É semelhante a outros tantos nos quais pessoas envolvidas em crimes ficam longe das cadeias, beneficiadas pela flexibilidade da lei associada a divergências de interpretação jurídica e a imbróglios burocráticos. E a indústria do furto e do roubo de veículo parece ser a mais beneficiada com a situação. Os ladrões vem ganhando espaço nas ruas, com reflexos diretos nos índices de criminalidade. O roubo (quando o motorista é atacado) está em alta no Rio Grande do Sul. Cresceu 3,6% em 2011 e, no primeiro bimestre de 2012, subiu 6,5%, em relação ao mesmo período do ano anterior. A situação é mais grave em Porto Alegre. A Capital concentra metade dos roubos ocorridos no Estado, com uma média de 15 casos diários, segundo dados de 2011 da Secretaria da Segurança Pública. Não é tarefa fácil pegar os bandidos, ainda mais em flagrante, no ato do assalto. O comum é prendê-los depois, a partir de investigações. E assim mesmo é raro eles permanecem atrás das grades. Isso porque é comum as vítimas se negarem a reconhecer os ladrões nas delegacias da Polícia Civil com medo de vingança, e eles acabam enquadrados por receptação – flagrados rodando com carros roubados ou de posse de peças extraídas desses veículos. A receptação é um tipo penal que desperta polêmica entre juízes e desembargadores – há quem considere um delito grave, e outros, não –, mas faz parte de um rol de crimes cuja regra geral no Judiciário é permitir que o autor aguarde em liberdade até ser julgado, sem levar em conta se são ou não reincidentes. Grupo desmanchava um veículo por dia Uma ofensiva policial da Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos (DRV), entre maio e junho de 2011, ilustra com clareza o quanto é difícil manter ladrões de carros fora de circulação. Após três meses de trabalho, a DRV colocou em prática a Operação Alvorada Voraz, desarticulando uma quadrilha com base em Alvorada e ramificações em Canoas que atuava na zona norte da Capital. Foram identificados mais de uma dezena de suspeitos entre assaltantes e receptadores. Segundo estimativas policiais, o grupo roubava e desmanchava um automóvel por dia. As provas coletadas pela polícia seriam suficientes para manter os presos confinados. Eram dezenas de horas de escutas telefônicas, reconhecimentos de vítimas e apreensões de peças e objetos roubados nas casas dos indiciados, quatro deles condenados por outros crimes. Apesar disso, seis meses após as prisões, todos estavam soltos. Ao saber do desfecho da Operação Alvorada Voraz, a delegada da DRV, Vivian do Nascimento, lamentou mas evitou polemizar: – Tento não pensar. Preciso estar motivada para incentivar minha equipe a seguir fazendo nosso trabalho. ZH tentou contato com os advogados dos envolvidos, mas não obteve sucesso. Todos negaram participação nos crimes em depoimento, com exceção de Luiz Claudio, que confessou. joseluis.costa@zerohora.com.br

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