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quarta-feira, 22 de julho de 2015

ALGUÉM AINDA IRÁ DIZER QUE VOCÊ PUXOU O GATILHO - Opinião, por Ronie de Oliveira Coimbra*.


"A crença em uma fonte sobrenatural do mal não é necessária. O homem, por si só, é capaz de toda maldade." (Joseph Conrad)


Pense na seguinte cena dantesca: Uma mulher e seu filho são rendidos no interior da residência, por dois bandidos – um terceiro fica no carro da fuga - que anunciam o assalto. Os bandidos ordenam que a mulher se deite no chão, com o ventre ao solo, e colocam o seu filho, uma criança de um ano e quatro meses de idade, às suas costas. A criança, impregnada pela ingenuidade, própria de sua tenra idade, está alheia aos acontecimentos, e começa a brincar sobre as costas da mãe. Segundos são necessários para que um dos BANDIDOS, com a criança ainda a brincar sobre as costas da mãe, efetue um disparo com seu revólver na cabeça da mulher que estava prostrada no chão, subjugada e indefesa. Em ato contínuo os bandidos fogem do local levando pertences subtraídos da casa, deixando para trás uma mulher ferida, entre a vida e a morte, e o trauma insuperável para todos os que ali foram vitimados e presenciaram a violência fria e gratuita.
Reflita a respeito amigo leitor.
A cena foi real, e ocorreu há algum tempo em uma residência na Cidade de Goiânia, Goiás, no Brasil.
Acredita você, caro leitor, que um indivíduo capaz de tão hediondo ato, perpetrado de forma tão fria, perante a inocência de uma criança, tenha recuperação, mesmo passando pelo mais eficiente dos sistemas penais?
Este "ser-humano", desprovido dos princípios de humanidade, mormente o de valorização da vida, poderia retornar ao convívio social, inclusive interagindo com a mulher vitimada (que sobreviveu milagrosamente) e o filho dela, que presenciou o ato vil, ambos impotentes e perplexos diante de tão extremada insensibilidade e de descaso com a vida?
Qual castigo poderia ser atribuído a este “indivíduo” que gerasse reparação para seu desprezível ato de suplício a integridade das pessoas, dentre elas uma criança com pouco mais de um ano, e a pretensão de ceifar a vida de uma mulher indefesa e dominada?
Deveria esta pessoa receber as benesses da Lei, se condenado fosse por seus crimes, a exemplo da progressão do regime após o cumprimento de parte da pena? Ou dos indultos, pelo qual restará solto, mesmo com o risco de não retornar ao estabelecimento prisional ou de cometer outros crimes graves?
Eu tenho minhas convicções, e, infelizmente, elas são todas pessimistas. Creio, piamente, que este indivíduo não tem mais recuperação, pois penso que algumas pessoas são, por sua natureza, perversas, capazes de muita maldade, e não será um sistema eficiente que milagrosamente o tornará bom. E a pena para o crime que ele cometeu deveria ser de prisão perpétua, a fim de reparar o dano que causou, sem direitos de progressão e indultos. Qualquer outra pena aplicada, que não for esta, estará longe, muito longe, de reparar os danos causados pelos atos do BANDIDO contra uma mulher indefesa e seu filho, uma criança de pouco mais de um ano de idade.
Será crível que alguns anos na cadeia seriam suficientes para reparar o terror infligido a uma mulher e seu filho por assaltantes armados? Ou de reparar o tiro covardemente disparado na nuca de uma mulher, já subjugada, pelo ímpeto criminoso do bandido?
E este quadro de impunidade, desanimador e aterrador, ainda pode vir acompanhado das manifestações muito infelizes, de pessoas que asseverarão que você ajudou a puxar o gatilho. Sim, VOCÊ caro leitor. Dirão que o bandido foi desvirtuado pelo meio social; que não teve oportunidades na vida; que foi maltratado pela família, pelos amigos, e pelo Estado; que precisa alimentar a si e a seus familiares; que está excluído do mercado consumidor; ou seja, a culpa pelo disparo frio e cruel na nuca da mãe indefesa e vulnerável será de todo o mundo, menos do bandido, este que efetivamente fez a escolha de puxar o gatilho. Sim, pois matar uma pessoa é uma escolha, e se enveredar pelo caminho do crime também o é, e, salvo exceções por incapacidade mental ou psiquiátrica, a pessoa que fez esta opção deve arcar com as consequências, e que estas sejam rigorosas. 
E essa história, infelizmente defendida por muitas autoridades e eruditos, DE QUE A CULPA É DE TODO O MUNDO, MENOS DO BANDIDO, tem que terminar.
Estas pessoas clamarão que ao bandido sejam garantidos todos os direitos possíveis, principalmente seus direitos humanos, e as vítimas, para estas, se tornará invisível, e desconsiderarão todo o sofrimento pelo qual passaram, inclusive o de uma mãe de quase perder a vida.
Concordo que se alcancem direitos a ele: O BANDIDO o direito de cumprir a pena de prisão perpétua, e a trabalhar neste período, mesmo que forçosamente, a fim de, ao menos, em algum momento de sua vida, ser útil e produzir algo de bom para a coletividade. E que tenha o direito de nunca mais restar livre, pois desperdiçou a chance divina de viver com as demais pessoas. E, enquanto a justiça divina não chega, lhe extinguindo a existência, que fique nas masmorras, ou estabelecimento prisional como o politicamente correto quer que se diga, haja visto que ali estará por consequência de suas escolhas, não por culpa dos outros.
E, arrematando este exíguo texto,  alerto você caro leitor, por que muitas destas pessoas, que defendem cegamente bandidos, em detrimento do cidadão honesto, e esquecendo todos os direitos ceifados e ofendidos das vítimas, logo adiante estarão pleiteando mandatos para cargos eletivos e políticos. Ao que parece é lógico concluir os interesses de quem eles irão defender se eleitos. Creio que não serão os interesses do cidadão honesto e de bem.


* Major da Brigada Militar do RS


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