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domingo, 12 de junho de 2016

E Ele nem era o Capitão América, por Oscar Bessi.


Em meio à quase guerra civil de Porto Alegre, não há vingadores. Não como os dos filmes e quadrinhos. Há apenas anônimos de extrema vontade empenhados todos os dias em evitar a chegada do caos. Poderes? Nenhum. Poderes, aliás, não flertam com os heróis da realidade. Os detentores de poder parecem nem gostar desses humanos comuns, que têm de especial só a for- ça da sua convicção e a fé, a preocupação e amor ao próximo que se revela na entrega pelo ofício que escolheram. Sem roupas e equipamentos especiais, usam fardas, ou um giz em sala de aula, mais o olhar atento, o conhecimento, a paixão e a esperança. Que enfrentam marés contrárias. Mas que seguem sonhando. Bairro Glória, capital dos gaúchos, final de uma manhã gelada da última quinta-feira. Um capitão da Brigada Militar está de folga e longe da sua circunscrição. Mas ao ver o assalto a uma loja em andamento, interfere. Em seu íntimo, poderia dizer para si mesmo que não era com ele, pois quem deveria dotar a BM de mais efetivo para ter policiais ali, naquele momento, é que devia se explicar à sociedade. E que nem o governo valoriza sua profissão ao atrasar, e parcelar, o salário que bota o pão na mesa da sua família, paga sua luz e água, seu sustento e dignidade. E que ninguém sequer saberia que, na multidão, havia um policial militar de folga à paisana. Sim, ele poderia fingir que não viu. Mas não é assim que agem os heróis da vida real. O capitão, que não era o América, não tinha ingerido nenhum soro especial de força, só se dedicado muito, treinado constantemente e ralado para chegar aonde chegou, e muito menos tinha escudo-bumerangue de efeitos especiais, enfrentou, sozinho, o trio de assaltantes. Protegido por seu comprometimento e preparo. Prendeu um, atingiu outro, foi baleado e ainda teve o pé quebrado. Cumpriu seu dever. E está bem. Um de seus comandantes me contava informalmente, à noite, sobre a excelência profissional do capitão. Seu entrosamento com suas equipes e dedicação ao trabalho. Do outro lado, garotos dispostos a matar ou morrer por míseros R$ 60. Não, isto não é nenhum gás enlouquecedor de cérebros, espalhado por organizações fantásticas tipo a Hidra dos quadrinhos. É nada além do eco ensurdecedor do descaso. Do quanto se joga uma geração inteira às favas, às garras do consumismo. Da droga e da violência. Do enfraquecimento da educação como um todo. E os caras que patrocinam este cenário triste não querem dominar o mundo. Nada disso. Apenas estão ocupados exclusivamente com os seus umbigos. Na negociata das almas alheias, o extermínio impiedoso do futuro e o medo deste presente. Resta-nos esses heróis anônimos, de carne e osso, invisíveis entre nós.

CORREIO DO POVO

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