domingo, 26 de julho de 2015
sexta-feira, 24 de julho de 2015
Espaço Vazio, por Elvio Alberto Walter*
Tive dificuldades em encontrar um título para este texto. Primeiro pensei em Geração Vazia. Outro título que idealizei foi Geografia. Pois a ideia veio da dificuldade dos meus alunos de 8º. Ano do ensino fundamental localizar no mapa dos Estados Unidos cinco lugares muito conhecidos: Califórnia, Texas, Flórida, Washington e as 13 Colônias. Mas estaria generalizando ou restringindo. A realidade que há muito tempo me acompanha é a de um bairro de periferia e de alunos de escola pública. Sei que existem realidades diferentes. Mas como a periferia e as escolas públicas ocupam a maior parte dos grandes centros urbanos, isso me preocupa.
Sou de uma geração que cresceu vendo filmes pejorativamente apelidados por uma “elite intelectual” de “enlatados” (Seriados americanos dos anos 60 e 70 – Filmes de faroeste, policiais, e dramas familiares), onde normalmente o bem vencia o mal.
Cresci com essa referência. Ponto Final.
Após cada filme, dos quais anotava os créditos, pois queria saber e guardar os nomes de atores, produtores, diretores, título original, sem perceber ganhava uma boa base de inglês. Quando tinha tempo ia para as enciclopédias Barsa e Delta Larrousse da Biblioteca do I. E. Ruben Dario, onde estudei de 1974 a 1979 ou para as enciclopédias Conhecer Armas e Soldados do nosso vizinho Luiz Hartmann para descobrir onde ficava Laredo, Virginía (O homem de Virgínia”, Tucson (onde se passava o seriado Chaparral), Kentucky (o Estado que ajudou a ser colonizado por Daniel Boone). Daniel Boone existiu? Queria saber isso também. Quem eram os índios Cherokees? Onde moravam os Apaches? Etc. Etc. Etc.
Hoje, com toda a informação que temos, onde nossos adolescentes poderiam ir muito além das aulas, isso não acontece. Internet só serve, para muitos, para manter relações fúteis, compartilhar besteirol, ouvir música de péssima qualidade, assistir vídeos de mau gosto. E todo conhecimento de geografia que recebem se resumem a 150 minutos de aula por semana. Onde as tarefas são feitas correndo, não são revisadas e o livro é fechado, para sobrar mais tempo para não aprender nada.
*Professor de Geografia no RS
quarta-feira, 22 de julho de 2015
ALGUÉM AINDA IRÁ DIZER QUE VOCÊ PUXOU O GATILHO - Opinião, por Ronie de Oliveira Coimbra*.
"A crença em uma
fonte sobrenatural do mal não é necessária. O homem, por si só, é capaz de
toda maldade." (Joseph Conrad)
Pense na seguinte cena dantesca: Uma
mulher e seu filho são rendidos no interior da residência, por dois bandidos –
um terceiro fica no carro da fuga - que anunciam o assalto. Os bandidos ordenam
que a mulher se deite no chão, com o ventre ao solo, e colocam o seu filho, uma
criança de um ano e quatro meses de idade, às suas costas. A criança,
impregnada pela ingenuidade, própria de sua tenra idade, está alheia aos acontecimentos,
e começa a brincar sobre as costas da mãe. Segundos são necessários para que um
dos BANDIDOS, com a criança ainda a brincar sobre as costas da mãe, efetue um
disparo com seu revólver na cabeça da mulher que estava prostrada no chão,
subjugada e indefesa. Em ato contínuo os bandidos fogem do local levando
pertences subtraídos da casa, deixando para trás uma mulher ferida, entre a
vida e a morte, e o trauma insuperável para todos os que ali foram vitimados e
presenciaram a violência fria e gratuita.
Reflita a respeito amigo leitor.
A cena foi real, e ocorreu há algum
tempo em uma residência na Cidade de Goiânia, Goiás, no Brasil.
Acredita você, caro leitor, que um
indivíduo capaz de tão hediondo ato, perpetrado de forma tão fria, perante a
inocência de uma criança, tenha recuperação, mesmo passando pelo mais eficiente
dos sistemas penais?
Este "ser-humano", desprovido
dos princípios de humanidade, mormente o de valorização da vida, poderia
retornar ao convívio social, inclusive interagindo com a mulher vitimada (que
sobreviveu milagrosamente) e o filho dela, que presenciou o ato vil, ambos
impotentes e perplexos diante de tão extremada insensibilidade e de descaso com
a vida?
Qual castigo poderia ser atribuído a
este “indivíduo” que gerasse reparação para seu desprezível ato de suplício a
integridade das pessoas, dentre elas uma criança com pouco mais de um ano, e a
pretensão de ceifar a vida de uma mulher indefesa e dominada?
Deveria esta pessoa receber as benesses
da Lei, se condenado fosse por seus crimes, a exemplo da progressão do regime
após o cumprimento de parte da pena? Ou dos indultos, pelo qual restará solto,
mesmo com o risco de não retornar ao estabelecimento prisional ou de cometer
outros crimes graves?
Eu tenho minhas convicções, e,
infelizmente, elas são todas pessimistas. Creio, piamente, que este indivíduo
não tem mais recuperação, pois penso que algumas pessoas são, por sua natureza,
perversas, capazes de muita maldade, e não será um sistema eficiente que milagrosamente
o tornará bom. E a pena para o crime que ele cometeu deveria ser de prisão
perpétua, a fim de reparar o dano que causou, sem direitos de progressão e
indultos. Qualquer outra pena aplicada, que não for esta, estará longe, muito
longe, de reparar os danos causados pelos atos do BANDIDO contra uma mulher
indefesa e seu filho, uma criança de pouco mais de um ano de idade.
Será crível que alguns anos na cadeia
seriam suficientes para reparar o terror infligido a uma mulher e seu filho por
assaltantes armados? Ou de reparar o tiro covardemente disparado na nuca de uma
mulher, já subjugada, pelo ímpeto criminoso do bandido?
E este quadro de impunidade,
desanimador e aterrador, ainda pode vir acompanhado das manifestações muito
infelizes, de pessoas que asseverarão que você ajudou a puxar o gatilho. Sim,
VOCÊ caro leitor. Dirão que o bandido foi desvirtuado pelo meio social; que não
teve oportunidades na vida; que foi maltratado pela família, pelos amigos, e
pelo Estado; que precisa alimentar a si e a seus familiares; que
está excluído do mercado consumidor; ou seja, a culpa
pelo disparo frio e cruel na nuca da mãe indefesa e vulnerável será de
todo o mundo, menos do bandido, este que efetivamente fez a escolha de puxar o
gatilho. Sim, pois matar uma pessoa é uma escolha, e se enveredar pelo caminho
do crime também o é, e, salvo exceções por incapacidade mental ou psiquiátrica,
a pessoa que fez esta opção deve arcar com as consequências, e que estas sejam
rigorosas.
E essa história, infelizmente defendida
por muitas autoridades e eruditos, DE QUE A CULPA É DE TODO O MUNDO, MENOS DO
BANDIDO, tem que terminar.
Estas pessoas clamarão que ao bandido
sejam garantidos todos os direitos possíveis, principalmente seus direitos
humanos, e as vítimas, para estas, se tornará invisível, e desconsiderarão todo
o sofrimento pelo qual passaram, inclusive o de uma mãe de quase perder a vida.
Concordo que se alcancem direitos a
ele: O BANDIDO o direito de cumprir a pena de prisão perpétua, e a trabalhar
neste período, mesmo que forçosamente, a fim de, ao menos, em algum momento de
sua vida, ser útil e produzir algo de bom para a coletividade. E que tenha o
direito de nunca mais restar livre, pois desperdiçou a chance divina de viver
com as demais pessoas. E, enquanto a justiça divina não chega, lhe extinguindo
a existência, que fique nas masmorras, ou estabelecimento prisional como o
politicamente correto quer que se diga, haja visto que ali estará por
consequência de suas escolhas, não por culpa dos outros.
E, arrematando este exíguo texto, alerto você caro leitor, por que muitas
destas pessoas, que defendem cegamente bandidos, em detrimento do cidadão
honesto, e esquecendo todos os direitos ceifados e ofendidos das vítimas, logo
adiante estarão pleiteando mandatos para cargos eletivos e políticos. Ao que
parece é lógico concluir os interesses de quem eles irão defender se eleitos. Creio
que não serão os interesses do cidadão honesto e de bem.
* Major da Brigada Militar do RS
segunda-feira, 20 de julho de 2015
NÃO SE PODE AGRADAR A TODOS!!!, Opinião, por Ronie de Oliveira Coimbra*
“Em pleno calor do dia, um pai andava pelas poeirentas ruas de Keshan junto com seu filho e um jumento. O pai estava sentado no animal, enquanto o filho o conduzia, puxando a montaria com uma corda. “Pobre criança!”, exclamou um passante, “suas perninhas curtas precisam esforçar-se para não ficar para trás do jumento”. “Como pode aquele homem ficar ali sentado tão calmamente sobre a montaria, ao ver que o menino está virando um farrapo de tanto correr”. O pai tomou a sério esta observação, desmontou do jumento na esquina seguinte e colocou o rapaz sobre a sela. Porém não passou muito tempo até que outro passante erguesse a voz para dizer: “Que desgraça! O pequeno fedelho lá vai sentado como um sultão, enquanto seu velho pai corre ao lado”. Esse comentário muito magoou o rapaz, e ele pediu ao pai que montasse também no burro, às suas costas. “Já se viu coisa como essa?”, resmungou uma mulher usando véu. “Tamanha crueldade para com os animais!” “O lombo do pobre jumento está vergado, e aquele velho que para nada serve e seu filho, abancaram-se como se o animal fosse um divã, pobre criatura!” Os dois alvos dessa amarga crítica entreolharam-se e, sem dizer uma palavra, desmontaram. Entretanto mal tinham andado alguns passos quando outro estranho fez troça deles ao dizer: “Graças a Deus que eu não sou tão bobo assim!” “Por que vocês dois conduzem esse jumento se ele não lhes presta serviço algum, se ele nem mesmo serve de montaria para um de vocês?” O pai colocou um punhado de palha na boca do jumento e pôs a mão sobre o ombro do filho e disse: “Independente do que fizermos, sempre há alguém que discorda de nossa ação. Acho que nós mesmos precisamos determinar o que é correto”.
Hoje me valho da parábola acima para asseverar que o Policial Militar, por mais que se esforce na prestação de seus serviços a sociedade, nunca conseguirá agradar a todos. Embora o brigadiano atue em muitas ocorrências assistenciais ou de orientação e auxílio às pessoas, as demais, em esmagadora maioria, envolvem o conflito. Ou a pessoa está em conflito com outrem, e requer a mediação do policial, ou ela está em conflito com a Lei, e requer a ação legal do policial. Em quaisquer das situações alguém restará desconforme, julgando-se prejudicado, mesmo que o policial aja no estrito cumprimento do que determina a lei, a moral e os costumes.
Arremato este pequeno ensaio para dizer que o policial não deve se frustrar com isto, pois a sua ação precisa estar revestida de legalidade, imparcialidade e impessoalidade, e nem julgar que o seu trabalho não é reconhecido, ao contrário, a necessidade da existência da polícia e de seus profissionais restou, há muito, comprovada, mas, como nos ensina a parábola, vinda de tempos primordiais, “independente do que fizermos, sempre há alguém que discorda de nossa ação”, ou então, parafraseando Jean Jacques Rousseau: “ Quem quer agradar a todos não agrada a ninguém.”
*Major na Brigada Militar
sábado, 18 de julho de 2015
Os coronéis da BM e os seus salários, por Aroldo Medina*
Zero Hora publica na sua edição de 17/07, página 10, uma reportagem sobre o salário dos coronéis da Brigada Militar, destacando que 96% deste efetivo de 497 oficiais, usufrui de aposentadoria.
Todos esses coronéis prestaram um concurso público e, ingressaram na BM como praças ou mesmo como alunos oficiais, numa carreira de Estado, almejando serem promovidos, após prestarem novos concursos públicos ou se submetendo a seleção (médica, física, psicológica e intelectual) para fazerem cursos de progressão. Todos nós quando abraçamos uma profissão, aspiramos legítima progressão na carreira escolhida. Olhem a celeuma estabelecida no plano de carreira dos professores do nosso Estado.
A Brigada não esta fora de nenhum contexto mundial de plano de carreira militar ou mesmo jurídica, como propugna atualmente, com valorização salarial compatível a de outros Estados da Federação. Ademais o salário dos coronéis no final da sua carreira é menor do que o inicial de outras carreiras de Estado, de nível superior, principalmente, as jurídicas.
Nenhum coronel surge do nada. Os coronéis de hoje tiveram anos de dedicação como cadete, aspirante, tenente, capitão, major, tenente-coronel e coronel. E, nessa trajetória sofreram reveses no enfrentamento de bandidos, situações de emergência e calamidades. Quando as pessoas no geral se afastam dos perigos, os policiais, militares e bombeiros, se aproximam deles.
Todos esses coronéis assumiram compromissos expressivos na administração dos recursos humanos, materiais e financeiros que lhes foram afetos, permanecendo ao alcance de apontamentos do Tribunal de Contas do Estado, mesmo na reserva, sofrendo a imposição do pagamento de multas e outros ressarcimentos. E, ainda permanecem sujeitos a perda do posto mesmo na reserva, em caso de condenação superior a dois anos e, podem ser reconvocados em casos extremos para defesa do povo e da pátria, ônus inerente ao seu caráter militar.
Ao final da carreira muitos estão doentes. Aliás a doença na aposentadoria, acompanha a maioria dos aposentados da Brigada, sejam oficiais ou praças que sacrificam a saúde e, não raras vezes, a própria vida, na defesa da vida e do patrimônio das pessoas.
Hipertensão, diabetes, infarto, câncer, úlceras, enfisema pulmonar, cirroses, problemas de coluna, depressão aguda, trombose, acidente vascular cerebral, envelhecimento precoce inerente a função de polícia, além de outras doenças, inclusive mentais, são espectros reais que perseguem os aposentados da segurança pública, indefectivelmente, mais do que em qualquer outra categoria de trabalhadores. Ser policial de qualquer nível é como exercer o trabalho de um minerador de carvão, em cima da terra, sob pressão permanente, o tempo todo.
E, como nas outras carreiras de Estado, além do Poder Executivo que também poderiam ser alvo do nosso questionamento salarial, é justo lembrar que todos esses servidores públicos de gestão de alta complexidade e responsabilidades, pagam impostos (de Renda e Previdenciário), descontados diretamente na fonte que leva sempre, sem nenhuma sonegação, 40% de todo o montante salarial apontado.
*Tenente-Coronel da Reserva da BM
(31 anos de serviço militar, em tratamento para o diabetes há 4 anos, com pólipos extirpados do intestino, com nódulo na tireoide e, trombose no braço esquerdo, recuperada há três anos, após intenso tratamento médico e espiritual. Doenças diagnosticadas como resultantes de stress continuado intenso, no exercício da profissão policial militar).
Todos esses coronéis prestaram um concurso público e, ingressaram na BM como praças ou mesmo como alunos oficiais, numa carreira de Estado, almejando serem promovidos, após prestarem novos concursos públicos ou se submetendo a seleção (médica, física, psicológica e intelectual) para fazerem cursos de progressão. Todos nós quando abraçamos uma profissão, aspiramos legítima progressão na carreira escolhida. Olhem a celeuma estabelecida no plano de carreira dos professores do nosso Estado.
A Brigada não esta fora de nenhum contexto mundial de plano de carreira militar ou mesmo jurídica, como propugna atualmente, com valorização salarial compatível a de outros Estados da Federação. Ademais o salário dos coronéis no final da sua carreira é menor do que o inicial de outras carreiras de Estado, de nível superior, principalmente, as jurídicas.
Nenhum coronel surge do nada. Os coronéis de hoje tiveram anos de dedicação como cadete, aspirante, tenente, capitão, major, tenente-coronel e coronel. E, nessa trajetória sofreram reveses no enfrentamento de bandidos, situações de emergência e calamidades. Quando as pessoas no geral se afastam dos perigos, os policiais, militares e bombeiros, se aproximam deles.
Todos esses coronéis assumiram compromissos expressivos na administração dos recursos humanos, materiais e financeiros que lhes foram afetos, permanecendo ao alcance de apontamentos do Tribunal de Contas do Estado, mesmo na reserva, sofrendo a imposição do pagamento de multas e outros ressarcimentos. E, ainda permanecem sujeitos a perda do posto mesmo na reserva, em caso de condenação superior a dois anos e, podem ser reconvocados em casos extremos para defesa do povo e da pátria, ônus inerente ao seu caráter militar.
Ao final da carreira muitos estão doentes. Aliás a doença na aposentadoria, acompanha a maioria dos aposentados da Brigada, sejam oficiais ou praças que sacrificam a saúde e, não raras vezes, a própria vida, na defesa da vida e do patrimônio das pessoas.
Hipertensão, diabetes, infarto, câncer, úlceras, enfisema pulmonar, cirroses, problemas de coluna, depressão aguda, trombose, acidente vascular cerebral, envelhecimento precoce inerente a função de polícia, além de outras doenças, inclusive mentais, são espectros reais que perseguem os aposentados da segurança pública, indefectivelmente, mais do que em qualquer outra categoria de trabalhadores. Ser policial de qualquer nível é como exercer o trabalho de um minerador de carvão, em cima da terra, sob pressão permanente, o tempo todo.
E, como nas outras carreiras de Estado, além do Poder Executivo que também poderiam ser alvo do nosso questionamento salarial, é justo lembrar que todos esses servidores públicos de gestão de alta complexidade e responsabilidades, pagam impostos (de Renda e Previdenciário), descontados diretamente na fonte que leva sempre, sem nenhuma sonegação, 40% de todo o montante salarial apontado.
*Tenente-Coronel da Reserva da BM
(31 anos de serviço militar, em tratamento para o diabetes há 4 anos, com pólipos extirpados do intestino, com nódulo na tireoide e, trombose no braço esquerdo, recuperada há três anos, após intenso tratamento médico e espiritual. Doenças diagnosticadas como resultantes de stress continuado intenso, no exercício da profissão policial militar).
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