Seguidores

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O descalabro do semiaberto - A criminalidade grassou tanto que começam a enxergar as verdadeiras origens do crime, que, com certeza, não é tão somente a falta de polícia ostensiva.


EDITORIAL ZH de 27 de julho de 2016

O DESCALABRO DO SEMIABERTO
O poder público, que, depois de permitir a falência do sistema prisional, deu margem também ao colapso do semiaberto, deve respostas cabais à sociedade.


EM RESUMO

Editorial cobra providências rápidas e efetivas das autoridades para as deformações no regime semiaberto, associadas aos níveis insuportáveis de criminalidade no Estado.

O descontrole atingido pelo regime prisional semiaberto no Estado, em consequência de defi- ciências crônicas na aplicação de políticas oficiais de segurança, está na origem da violência incorporada hoje ao cotidiano dos gaúchos. A alternativa, como demonstra investigação jornalística realizada em conjunto por diferentes veículos da RBS, deixou há muito tempo de se constituir numa forma de atenuar a falta de vagas em presídios para se transformar em terror diário sob o ponto de vista da população. Presos que, sob rígidas condições nem sempre levadas em conta, deveriam trabalhar fora e dormir em albergues ou em casa, dedicam-se em grande parte a atuar até mesmo em gangues, praticando crimes que incluem de latrocínio a estupro. É uma situação diante da qual a sociedade só encontra uma palavra adequada: basta. O setor público deve providências imediatas e efetivas.

É inadmissível que, por todo o Estado, mais de 5 mil criminosos circulem hoje livremente pelas ruas, sem contar as dezenas de milhares que fugiram de albergues nos últimos anos. A situação só ultrapassou o limite do caos porque o poder público deixou de investir em albergues, fechando alguns e adiando reformas em outros. Os governantes foram negligentes ao não ampliar vagas em presídios, deixando-os se transformar em verdadeiros depósitos de detentos. Com isso, deram margem a uma situação conflitante, na qual uma maioria expressiva de gaúchos defende o encarceramento de criminosos, mas não há celas para abrigá-los.

O agravante é que, além de não vigiar, o Estado é forçado a pagar multas e indenizações a presos que ficam atrás das grades por falta de albergues e a familiares de vítimas de crimes praticados por quem se aproveitou do semiaberto para praticá-los. Pior: muitos prisioneiros são forçados a continuar delinquindo por organizações criminosas que controlam a vida no interior dos presídios. Em meio a esse caos, até mesmo a tornozeleira eletrônica virou uma fraude. Não há fiscalização e nada impede que os portadores do equipamento continuem praticando crimes.

É inacreditável que, diante da falência do regime, não haja sequer clareza sobre competência de fiscalização, o que só interessa aos criminosos. O Judiciário diz que cabe à Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe). A Susepe alega que a atribuição não é exclusivamente sua. À população em geral, resta cobrar que se entendam.

O poder público, que, depois de permitir a falência do sistema prisional, deu margem também ao colapso do semiaberto, deve respostas cabais à sociedade. Não há como esperar por mais vítimas para, só então, começar a agir.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

POLÍCIA REFÉM, POR EMERSON MOTA*

Não é de hoje que a força policial reclama da falta de respaldo para as suas ações. Satanizada por uma cultura de massa, torna-se impotente, refém da dúvida insuperável sobre como agir quando em confronto com criminosos. Os últimos episódios demonstram a gravidade do problema.

No primeiro, em frente ao Hospital Conceição, houve enfrentamento com bandidos fortemente armados. Um destes foi baleado e caiu. Na sequência, levou outro tiro, fatal. Mesmo sendo a decisão aparentemente justificável pelas circunstâncias, o policial autor dos disparos foi execrado publicamente pelos “justiceiros sociais”. Sobreviveu ao embate. Porém, sua vida nunca mais será a mesma em razão do estigma de executor.

No segundo caso, recentemente um policial foi morto em abordagem, onde agia com visível excesso de cautela no uso do armamento letal, justamente para não atentar contra a integridade do abordado. Somente após atacado, efetuou um único disparo na perna do oponente, tudo ao agrado dos defensores do “politicamente correto”. Resultado, agora pior, perdeu a própria vida.

Esta situação de impotência é resultado de um surto esquizofrênico ideológico do qual nossa sociedade padece. Doente, delira vendo opressor e oprimido em tudo, pautando todas as relações e condutas sob a ótica do seu delírio. A meta é sempre combater um “opressor” e defender um “oprimido”, pois esta obsessiva luta de “classes” é mais importante do que qualquer coisa. Neste quadro, a autoridade é classificada sempre como opressora, enquanto o criminoso, tratado como “vítima da sociedade” (a opressora). Assim, em qualquer situação de confronto entre policial e delinquente, a autoridade sempre perderá, pois representa a opressão que deve ser combatida. E aí temos uma inversão total de valores.

Partindo do princípio de que ninguém, de sã consciência, entra em jogo perdido, qual seria a solução para se preservar? “Lavar as mãos”, evitar confronto, ou seja, a omissão, ficando a população ainda mais vulnerável à criminalidade. O momento impõe união de forças por uma segurança que contemple uma polícia qualificada, treinada e bem armada, respaldada pela legislação e, principalmente, apoiada pela população nas suas ações. Só assim os policiais terão um mínimo de tranquilidade para trabalhar.

*Juiz de Direito
 
Muito bom ler textos assim, ainda mais quando escritos por um Magistrado.
 
Quanto a luta de classes, há muito, em meus textos, venho denunciando o maniqueísmo e quem o apregoa, até mesmo porque quem perpetra esta prática o faz sem nenhuma discrição. 
 
(ROC)

quinta-feira, 16 de junho de 2016

E DEPOIS A CULPA PELA INSEGURANÇA PÚBLICA É A FALTA DE POLICIAMENTO OSTENSIVO




BM liberta mulher e prende sequestradores em Porto Alegre

BM liberta mulher e prende sequestradores em Porto Alegre 

Vítima aguardava na sinaleira da Assis Brasil com a Bogotá quando foi atacada

Por Vitor Rosa
vitor.rosa@rdgaucha.com.br
Uma mulher foi libertada de um sequestro e os criminosos foram presos pela Brigada Militar na madrugada desa quinta-feira (16), em Porto Alegre. Ela estava rendida no banco de trás do GM Tracker, roubado pelos bandidos ainda na madrugada.

A vítima aguardava no sinal vermelho na esquina das Avenidas Assis Brasil com a Bogotá, na zona norte, quando foi atacada pelos dois sequestradores. Testemunhas avisaram a BM, que se deparou com o veículo na Avenida do Forte, próximo das 2h10. Os criminosos não resistiram à abordagem.

Os dois bandidos, identificados como Jonatan Azeredo da Silveira, de 21 anos, e Jonatan Cruz Bica, 19, foram presos em flagrante. Com eles, os policiais encontraram um revólver calibre 22 e uma arma de brinquedo. A mulher não ficou ferida. 

Dupla foi liberada pelo Judiciário em janeiro
Os dois sequestradores presos hoje pela BM já foram liberados pelo judiciário quando detidos em flagrante em outra ocasião. Em janeiro deste ano, eles foram até o Fórum do bairro Sarandi, na zona norte de Porto Alegre, usando um Ford Ká roubado. Os policiais perceberam que era o mesmo carro citado na ocorrência e deram voz de prisão à dupla. No entanto, a juíza Mirtes Blum determinou a liberdade aos dois, dizendo que não havia provas suficientes.

* Em entrevista a Magistrada afirmou que os delinquentes poderiam não saber que o veículo era roubado. 

Como estes delinquentes são ingênuos...

domingo, 12 de junho de 2016

E Ele nem era o Capitão América, por Oscar Bessi.


Em meio à quase guerra civil de Porto Alegre, não há vingadores. Não como os dos filmes e quadrinhos. Há apenas anônimos de extrema vontade empenhados todos os dias em evitar a chegada do caos. Poderes? Nenhum. Poderes, aliás, não flertam com os heróis da realidade. Os detentores de poder parecem nem gostar desses humanos comuns, que têm de especial só a for- ça da sua convicção e a fé, a preocupação e amor ao próximo que se revela na entrega pelo ofício que escolheram. Sem roupas e equipamentos especiais, usam fardas, ou um giz em sala de aula, mais o olhar atento, o conhecimento, a paixão e a esperança. Que enfrentam marés contrárias. Mas que seguem sonhando. Bairro Glória, capital dos gaúchos, final de uma manhã gelada da última quinta-feira. Um capitão da Brigada Militar está de folga e longe da sua circunscrição. Mas ao ver o assalto a uma loja em andamento, interfere. Em seu íntimo, poderia dizer para si mesmo que não era com ele, pois quem deveria dotar a BM de mais efetivo para ter policiais ali, naquele momento, é que devia se explicar à sociedade. E que nem o governo valoriza sua profissão ao atrasar, e parcelar, o salário que bota o pão na mesa da sua família, paga sua luz e água, seu sustento e dignidade. E que ninguém sequer saberia que, na multidão, havia um policial militar de folga à paisana. Sim, ele poderia fingir que não viu. Mas não é assim que agem os heróis da vida real. O capitão, que não era o América, não tinha ingerido nenhum soro especial de força, só se dedicado muito, treinado constantemente e ralado para chegar aonde chegou, e muito menos tinha escudo-bumerangue de efeitos especiais, enfrentou, sozinho, o trio de assaltantes. Protegido por seu comprometimento e preparo. Prendeu um, atingiu outro, foi baleado e ainda teve o pé quebrado. Cumpriu seu dever. E está bem. Um de seus comandantes me contava informalmente, à noite, sobre a excelência profissional do capitão. Seu entrosamento com suas equipes e dedicação ao trabalho. Do outro lado, garotos dispostos a matar ou morrer por míseros R$ 60. Não, isto não é nenhum gás enlouquecedor de cérebros, espalhado por organizações fantásticas tipo a Hidra dos quadrinhos. É nada além do eco ensurdecedor do descaso. Do quanto se joga uma geração inteira às favas, às garras do consumismo. Da droga e da violência. Do enfraquecimento da educação como um todo. E os caras que patrocinam este cenário triste não querem dominar o mundo. Nada disso. Apenas estão ocupados exclusivamente com os seus umbigos. Na negociata das almas alheias, o extermínio impiedoso do futuro e o medo deste presente. Resta-nos esses heróis anônimos, de carne e osso, invisíveis entre nós.

CORREIO DO POVO

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Super-Homem e Mulher-Maravilha, por Elvio Alberto Walter*

Já faz algum tempo que deixei de me preocupar em salvar o mundo.  

Sempre digo que o que me inspirou a ser professor foi o exemplo dos meus mestres. E não pelo que eles eram como pessoas. Afinal, naqueles anos setenta, professor e aluno pouco sabiam um da vida do outro. O aluno estava na escola para aprender e o professor para ensinar. O que não impedia que muitos de nós, alunos, os considerassem como amigos. E hoje, é uma grande alegria ter muitos deles ainda por perto. 

Nunca me esqueci das professoras das séries iniciais. Tampouco dos meus professores das séries finais do ensino fundamental e do ensino médio. Lembro de cada um deles. Estevan Baccin, Dedé Dede Moss,Anilza da Silva, Marcus Brigel, Marlize Rejane, Maria Antonetti, entre todos. Do nosso diretor de muitos anos, João Colombo Filho. Que passava o tempo todo com um cigarro na boca ou na mão. Mas sempre foi um exemplo para nós. Hoje estaria cometendo um delito. Em cada um, havia a paixão por ensinar. E na maioria dos alunos, um interesse em aprender. 

Como diz uma postagem que circula pelas redes sociais: em casa se aprende a falar obrigado, ser limpo, ser honesto, ser correto, ser pontual, falar bem, não xingar, respeitar o semelhante, ser solidário, mastigar com a boca fechada, não roubar, não mentir, cuidar das próprias coisas e das coisas dos outros, ser organizado. Na escola se aprende matemática, português, ciências, geografia, geometria, línguas e é onde são reforçados os valores que os pais ensinam aos seus filhos.

Vou muito além da minha tarefa de ensinar história e geografia. Algumas vezes religião ou artes. Porque não ensinamos nada, apontamos caminhos para o estudante descobrir. A maior parte das coisas que aprendi foi fora da sala de aula. Lendo muito, indo ao cinema, ouvindo música.

E assim é a vida. O dia tem 24 horas, 1.440 minutos. A semana tem 7 dias, 10.080 minutos. Desse tempo todo, passo com meus alunos entre 150 e 300 minutos. Os outros 9.780 minutos eles estão sob outros olhos ou olhando para outras coisas

E nas minhas aulas não se fala somente sobre relevo, hidrografia, idade média ou idade antiga. Se fala sobre a vida, sobre o quotidiano. Se algum deles optar por algum caminho que difere daquele da cidadania, não sinto culpa ou remorso. Que poderia ter feito algo mais. Tenho certeza que cumpri o meu papel. Afinal, somos professores e professoras e não o Super-Homem ou a Mulher-Maravilha que tem como encargo salvar o mundo.

* Professor no Rio Grande do Sul

Assista o Vídeo Institucional da Brigada Militar

Acompanhe nas mídias sociais

BM de Sapucaia do Sul auxilia Exército na instrução de preparação para a missão da paz da ONU